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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rádio Pública, uma utopia?

A rádio pública brasileira ainda é uma abstração, segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisa de Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação (Intercom), Luiz Ferrareto. Para o pesquisador, a rádio pública ainda não existe de maneira concreta. “É uma coisa que vai se alcançar no futuro”, estimou Ferrareto.A opinião é compartilhada pela professora Sonia Virgínia Moreira, também da Intercom. “Não podemos dizer que hoje nós temos emissoras públicas no Brasil. Temos emissoras estatais, governamentais, como é o caso da Radiobrás, da Rádio MEC AM e FM, da TV Educativa”, afirmou Sonia Moreira.A pesquisadora da Intercom disse que uma rádio pública tem características que “não existem em nenhuma emissora brasileira”. Entre elas, citou a total desvinculação do governo; a valorização de uma identidade nacional; o espaço aberto para grupos distintos da sociedade, comunidades e minorias; a supremacia da qualidade em relação à quantidade, expressa em termos de audiência; os subsídios; e a universalidade geográfica.Sonia Virginia Moreira salientou que, em todo o mundo, as rádios públicas não estão baseadas em leis, mas em regras específicas para o setor.De acordo com a pesquisadora, para que a rádio pública possa ser implantada de forma efetiva no Brasil, é preciso elaborar pesquisas exploratórias e mapear o que existe no país em termos de emissoras de origem não-comercial. Outro passo importante é a realização de estudos de conteúdo.A rádio pública também deve priorizar conteúdos locais já que a preocupação principal é contemplar o cidadão, com isenção, diversidade e equilíbrio, defendeu a pesquisadora.Para Ferrareto, coordenador do Núcleo de Pesquisa de Rádio e Mídia Sonora da Intercom, a rádio pública precisa de uma participação ativa da população.“Rádio pública toca música clássica e Rolando Boldrin”, afirmou, referindo-se ao artista que costuma apresentar músicas folclóricas de todo o país em seus programas de televisão e rádio, valorizando desde a música sertaneja ao samba.Segundo Luiz Ferrareto, é preciso que a realidade das pessoas seja discutida. “Porque rádio pública pode ser tudo. Menos elitista”, salientou.Na avaliação do especialista, a rádio pública deve incluir todos os segmentos, classes, etnias, opções sexuais e tipos de público. Fonte: Agência Brasil

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