O projeto Rádio-Coletivo teve seu inicio a partir da percepção dos integrantes do Curso de Comunicação Social em habilitação em Produção Editorial das Faculdades Promove, em utilizar o espaço publico do ônibus, um local onde pouco aproveitado, para a veiculação de um programa de rádio piloto, intitulado “Rádio em Movimento”, como uma alternativa ao tempo muitas vezes ocioso em que os usuários permanecem dentro dele e como uma forma de levar informação, entretenimento e noções sobre cidadania para os usuários.
Resolvemos utilizar o rádio por ser um veículo de grande audiência, por estar a tanto tempo em utilização, por ser o único veículo de mídia em que podemos conciliar outros afazeres sem prejudicar sua audição e principalmente pela linguagem afetiva e próxima, que só o rádio proporciona.
Sabemos que já existe um projeto intitulado BusTV, que está em implantação de aparelhos de TV nos ônibus de Belo Horizonte. Mas neste projeto o conteúdo é pago e não há uma programação voltada especialmente pensada para os usuários. O conteúdo do BusTV gerado por vários grupos de empresas de comunicação que aproveitam deste espaço para veicular seus programas dos mais diversos conteúdos. O que difere nosso projeto da BusTV é exatamente o conteúdo e a plataforma.
José Luiz Braga nos diz que a sociedade só é capaz de se reestruturar, conversar com ela mesma se ela se enxergar através da mídia. Diante destes conceitos, porque não, então, desenvolvermos um programa de rádio que possa agregar valores e fazer com que a sociedade se transforme?
Para isso, utilizamos idéias de cidadania de uma forma mais ampla como apresenta Regina Mota quando ela discute o não conhecimento da sociedade do direito de ter informação assim como o direito à saúde e educação. Toda sociedade tem e deve ter o direito a informação. Para isso, na concepção do programa usamos as noções discutidas por Jonas Valente, estudioso do grupo de estudo Intervozes, de uma rádio educativa, culturalista, e alternativa à uma mídia comercial, conceituações básicas, segundo ele, de uma mídia pública.
Estes teóricos nos ensinaram com propriedade como devemos usar suas teorias para a produção do conteúdo do programa.
Com relação a linguagem usada no programa “Rádio em Movimento” procuramos seguir o modelo usado nas rádios de hoje em dia e estamos utilizando o veiculo rádio dentro do ônibus, tentando captar a atenção dos usuários, após estudarmos e discutirmos o potencial de transmissão de informação do rádio.
Colhemos as informações necessárias para a aplicação e produção do conteúdo do programa através de uma pesquisa quantitativa e qualitativa de opinião, espinha dorsal de nosso projeto, aplicada com usuários nos pontos de ônibus. Esta pesquisa foi fundamental para o planejamento sobre o conteúdo básico de nosso programa, quais seriam os temas em que as pessoas teriam mais interesse e os temas que poderiam ser abordados.
Partindo então para a produção técnica do programa, o primeiro passo foi a produção das vinhetas introdutórias ao programa. Elas destacam o título dos blocos e as passagens de um bloco a outro. Utilizamos melodias e arranjos simples nas vinhetas de forma que os usuários percebam e assimilem qual programa estão escutando. Uma forma de identificar o programa. Com o uso de elementos sonoros dos ônibus tais como buzina, freada e roleta para também, tentamos criar artifícios que contribuam para a identidade do programa.
As músicas executadas nos programa “Rádio em Movimento” são músicas brasileiras como o sertanejo, samba dentre outros, para que fomentemos o sentimento de identidade nacional e valorização da cultura brasileira. Escolhemos estes estilos também baseados na pesquisa de opinião.
Usamos uma forma coloquial para a locução do conteúdo, para que os usuários sintam-se ainda mais próximos do locutor, criando a identidade e afetividade que só o rádio consegue construir.
Apresentamos a BHTRANS, empresa gestora e reguladora dos ônibus de Belo Horizonte, em uma reunião, nosso projeto para a gerente de Projetos Educacionais (GEDUC) Edina Lara que nos mostrou bastante interesse de conhecê-lo melhor. Estamos aguardando um novo contato para apresentação do projeto para a Assessoria de Comunicação e presidência deste órgão para uma possível aplicação.
A reunião serviu para que tivéssemos a chance de mostrar a proposta do projeto para o setor governamental para que possamos contribuir para a transformação da sociedade, assim como pensam José Luiz Braga e Roquette Pinto.
Esse trabalho foi interessante para demonstrar que é possível usar o meio rádio como um veículo de prática a discussão sobre a cidadania com os usuários, tendo em vista o conteúdo escolhido e as questões sociais discutidas aqui; direitos dos cidadãos que estão abordados e que futuramente, esperamos, ser colocados em prática pelas pessoas.
Ao final da gravação e edição de nosso programa, chegamos a conclusão que nosso objetivo foi cumprido.
Tivemos a oportunidade, com este projeto, de poder desenvolver algumas habilidades que nos fazem potencializar nossos conhecimentos, não somente no campo da Comunicação Social, mas para nossa vida.
Realizar um projeto experimental que tem a chance de plantar uma semente de mudança na sociedade é nosso papel de comunicólogos. Não nos atendo a experiências apenas analíticas e descritivas, mas a experiências práticas transformadoras, que contribuam ainda mais para um mundo mais humano e justo.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
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