O programa piloto produzido apresenta uma estrutura de 5 (cinco) blocos. Cada bloco pretende tratar de assuntos relacionados a cultura, a informações de interesse do usuário e ao exercício da cidadania. Todos os blocos são antecedidos por vinhetas de passagem que delimitam o início e o fim de cada tema. Serão alternados entre os blocos gêneros musicais e informações de interesse público.
Seguindo a proposta geral, este programa piloto produzido apresenta no primeiro bloco, após a apresentação dos locutores (Felipe Mariano e Maíra Matos), os conteúdos que os usuários irão ouvir no decorrer do programa: informações sobre espaços públicos, prestação de serviços, política e noções de cidadania. Haverá ainda neste bloco a apresentação de um gênero musical, dando informações do seu surgimento, para que o ouvinte possa conhecer e sua origem e características.
O ritmo apresentado no programa piloto é o “samba”. Decidimos executar o primeiro samba gravado no país chamado “Pelo Telefone”, de autoria de Donga, por ser o marco inicial desse ritmo. A versão apresentada é cantada por Martinho da Vila, pois não há uma versão original com a voz de Donga em boas condições de transmissão. Para conceituarmos o samba, utilizamos os conceitos abordados por alguns autores que discutem o nascimento desse gênero no Brasil (SANDRONI, 2001 e TATIT, 2004).
No segundo bloco falamos sobre a melhor utilização dos espaços públicos. Dentro do território urbano tradicional, o espaço público é considerado um local de uso comum e de posse coletiva (especialmente nas cidades capitalistas, onde a presença do privado é predominante). No programa piloto, este bloco apresenta o Zoológico de Belo Horizonte, pontuando as diversas espécies de sua fauna e flora, destacando o borboletário e o Jardim Japonês. Estas informações foram colhidas do site da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte, autarquia da Prefeitura Municipal. Procuramos ambientar sonoramente este bloco com alguns efeitos para que o usuário possa de “sentir” dentro do zoológico.
No terceiro bloco, falaremos sobre mais um gênero musical brasileiro. A escolha pela execução de canções nacionais pretende despertar no ouvinte a vontade de conhecer mais sobre a cultura de nosso país.
Neste programa piloto, o segundo gênero apresentado é o “sertanejo”. Utilizando os conceitos abordados pela autora Rosa Nepomuceno (NEPOMUCENO, 1999), discorremos sobre a origem deste gênero nascido da música caipira. Ao fundo desta narração, colocamos um trecho instrumental que utiliza a viola caipira como base, para que o usuário perceba “na prática” de onde surgiram as duplas sertanejas. A música executada é “A Majestade, o Sábiá”, de autoria de Roberta Miranda, cantada por Jair Rodrigues e Chitãozinho e Xororó, escolhida porque sua letra e melodia remetem ao interior do país, dando ideia de como seria a vida no campo. Pretendemos mostrar ainda, com esta canção, que hábitos existentes nas cidades menores não existem mais nos grandes centros urbanos.
No quarto bloco do programa, a partir das noções de cidadania já abordadas e discutidas neste trabalho, apresentaremos aos usuários uma forma de capacitação de renda e alternativas de emprego. Destacamos como exemplo, a ONG Projeto Fred. Depois de apresentá-la, descreveremos seus cursos oferecidos, como o de confecção de peças artesanais. Esta iniciativa pode ser classificada como uma divulgação de novas possibilidades de geração de renda para os usuários, além de destacar ações cidadãs que podem transformar nossa sociedade, ideia norteadora de nosso programa.
No quinto e último bloco apresentaremos mais um gênero musical, que não é originalmente brasileiro, mas foi abraçado pela população devido à difusão precursora do ritmo feita pelo músico Gilberto Gil. Atualmente, o reggae brasileiro é uma mistura de vários outros gêneros musicais. A música escolhida é uma versão de Gilberto Gil para “No, Woman no Cry” de Bob Marley, ícone maior do ritmo no mundo. Esta versão apresenta elementos da cultura musical brasileira, como zambumba, triângulo e berimbau, misturados à melodia característica do reggae.
Ainda neste bloco, seguindo nosso intuito de abordar no programa ações que fomentem o exercício da cidadania dos usuários, abordamos a política, aproveitando o gancho do cantor e compositor Gilberto Gil, ser ex-ministro da Cultura. Alertamos ao usuário seu poder de escolha através do voto. Com isso, chamamos sua atenção para como acompanhar os candidatos eleitos e o que eles andam fazendo durante seu mandato. Informamos o endereço, telefones e o sites da Assembléia Legislativa de Minas Gerais e da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, com a intenção de provocar nele o exercício pleno de seu direito enquanto cidadão, cobrando e acompanhando nossos representantes.
Finalizamos informando aos passageiros todos os canais de contato com os produtores do programa para que eles, como discutido neste trabalho, possam participar ativamente do programa.
A fim de se aproximar do ouvinte, fizemos uso de uma linguagem oral comumente utilizada nos programas radiofônicos do gênero variedades, em que o locutor se posiciona como um companheiro do ouvinte. Para reforçar essa coloquialidade e consequentemente a proximidade em relação ao ouvinte, utilizamos dois locutores, estabelecendo um ambiente de diálogo.
Não podemos deixar de constatar que sabido por nós a existência de um projeto intitulado BusTV, que está implantando aparelhos de TV nos ônibus de Belo Horizonte. Mas este formato tem seu conteúdo pago e não há uma programação voltada especialmente para os usuários. O conteúdo do BusTV é gerado por vários grupos de empresas de comunicação, que veicula principalmente anúncios. O que difere o programa aqui proposto, Rádio em Movimento, do BusTV é exatamente o conteúdo, o objetivo e a plataforma.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
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